CÂMARA DE GUARANTÃ DO NORTE 2026    PI Nº 358.5

chacina de Sinop

Foto: Reprodução
chacina de Sinop
Estado endurece vigilância sobre autor da chacina de Sinop após descoberta de "central telefônica" na PCE

Justiça determina isolamento em regime disciplinar diferenciado para Edgar de Oliveira; magistrado aponta risco elevado à segurança pública após apreensão de 13 celulares.

A Justiça de Mato Grosso impôs uma derrota estratégica ao detento Edgar Ricardo de Oliveira, condenado a mais de 136 anos de prisão pela chacina que vitimou sete pessoas em um bar de Sinop. A decisão do juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a transferência imediata do reeducando para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). A medida é uma resposta direta à descoberta de um arsenal de comunicação ilegal escondido sob a estrutura de concreto da cela ocupada por ele na Penitenciária Central do Estado (PCE).

A operação, conduzida pelo Grupo de Intervenção Rápida (GIR), revelou um esquema de ocultação sofisticado. Ao todo, 13 aparelhos celulares, além de carregadores, cabos e fones de ouvido, foram encontrados em compartimentos improvisados. Para o magistrado, a quantidade de material e a natureza do esconderijo não deixam dúvidas sobre a intenção de manter articulações externas indevidas, o que configura uma afronta direta aos mecanismos de controle estatal e um risco concreto à ordem penitenciária.

Com a inclusão no RDD, o cotidiano de Edgar sofrerá restrições severas, incluindo o isolamento em cela individual e visitas rigorosamente monitoradas. Embora a defesa tenha tentado contestar a legalidade da apreensão, o Ministério Público endossou a sanção, classificada como necessária diante da gravidade da falta. O juiz destacou que, por ora, o rigor do regime disciplinar dentro da própria unidade é suficiente para conter o ímpeto de comunicação do preso, embora a transferência para o sistema federal permaneça como uma possibilidade futura no radar jurídico.

O endurecimento do regime traz à memória a brutalidade dos crimes que levaram Edgar ao cárcere. Em fevereiro de 2023, após perder partidas de sinuca que envolviam apostas em dinheiro, ele e um comparsa protagonizaram um dos episódios mais sangrentos da história recente do estado. Armados com uma espingarda calibre 12mm, os atiradores executaram à queima-roupa sete pessoas — incluindo uma criança de apenas 12 anos — após serem alvo de piadas pelas derrotas sucessivas no jogo. A atual decisão judicial sinaliza que o Estado manterá vigilância máxima sobre aqueles que demonstram incapacidade de respeitar as regras do sistema prisional.

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